Há cerca de dez anos atrás a população desta área da Freguesia de Marvila foi convocada a participar numa sessão, presidida pelo então titular do pelouro camarário do Ambiente e Espaços Verdes, Eng.º Rui Godinho, para assistirem à apresentação, por técnicos camarários, do plano faseado de requalificação da Zona N2 de Chelas, entretanto designada (“indevidamente”, como mais adiante demonstraremos) por Bairro dos Lóios. Apesar da referida apresentação ter ocorrido numa manhã de um dia normal de trabalho, como a expectativa era grande, a sala encheu-se de moradores e comerciantes do Bairro. Por esta altura, quer o órgão oficial da Junta de Freguesia de Marvila, quer o Boletim da Associação Tempo de Mudar para o Desenvolvimento do Bairro dos Lóios – ATM, quer, ainda, alguma imprensa escrita adiantaram pormenores desta intervenção camarária que, segundo uns deveria ocorrer em cinco fases e, segundo outros, em seis. Mais tarde, segundo as mesmas fontes, a população foi informada de que para o efeito tinham sido aprovadas as duas candidaturas apresentadas pela Câmara Municipal de Lisboa ao III Quadro Comunitário de Apoio. As obras, entretanto, tinham já arrancado na Rua Luís Cristino da Silva, nos espaços exteriores e públicos, em redor aos edifícios o ex-IGAPHE situados na Rua Adães Bermudes e, posteriormente, na Praça Raul Lino. Não existia, pois, qualquer motivo para alguém colocar em dúvida a afirmação dos responsáveis camarários de que, dentro em breve, chegaria a vez dos restantes espaços públicos dos Lóios. Eis senão quando, em resultado das eleições autárquicas entretanto realizadas, a gestão da Câmara Municipal de Lisboa muda de mãos. E, como é costumo dizer-se, mudam as cabeças, mudam as sentenças! Deve ter sido (pensamos nós) aquilo que se deve ter passado com a requalificação em curso no Bairro dos Lóios (?!...). Certo, certo, é que as mesmas abrandaram ou foram, em relação a alguns dos projectos mostrados aos interessados, desvirtuadas e finalmente pararam!!!! Nas vésperas das últimas intercalares para a Câmara, assistimos a uma intervenção, da responsabilidade da Junta de Freguesia de Marvila, na Rua Norte Júnior que, para nossa admiração, já não obedeceu ao projecto, para esta mesma artéria, elaborado pela Direcção Municipal do Ambiente e Espaços Verdes (DMAEV) e muito recentemente uma outra, da mesma autoria, nos jardins fronteiriços aos lotes 200 a 216. Quanto à tal requalificação (pasme-se!) ouvimos e não há muito (palavras de vereador), “esqueçam”e ainda “não há um tostão”!! Os textos e as imagens que se seguem irão revelar-vos o estado duma área de Marvila que, fazendo jus aos nomes das suas ruas e das suas praças, deveria ter sido designada, com toda a legitimidade e propriedade, por Bairro dos Arquitectos e que alguém, por engano ou maldade, resolveu apelidar de Lóios. E esta hein!... Arqt.º Luís Ribeiro Cristino da Silva
Luís Ribeiro Cristino da Silva, (1896-1976), arquitecto português, estudou na Escola de Belas Artes de Lisboa e ainda em Paris e em Roma. Dos seus projectos arquitectónicos, destacamos: Cineteatro Capitólio; Pavilhão de Honra e de Lisboa na Exposição do Mundo Português; Praça do Areeiro; Café Portugal do Rossio e moradia na Avenida Pedro Álvares Cabral, n.º 67 – Prémio Valmor, 1944.
Rua Luis Cristino da Silva - Bairro dos Lóios, Marvila, Lisboa Arqt.º Raul Lino da Silva
Raul Lino da Silva, (1879-1974), arquitecto português, estudou em Inglaterra e na Alemanha, onde trabalhou no atelier de A. Haupt, projectou mais de 700 obras, tais como: Casa O´Neil, Cascais (1902); Casa dos Patudos, para José Relvas (1904); Casa do Cipreste, em Sintra (1912); Cinema Tivoli (1925) e o Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português (1940). Foi ainda autor de numerosos textos teóricos sobre a problemática da arquitectura doméstica popular, como A casa portuguesa (1929), Casas portuguesas (1933) e L´évolution de l´architecture domestique au Portugal (1937).
Praça Raúl Lino (aspecto actual), Bairro dos Lóios, Marvila, Lisboa
 Arqt.º Cassiano Viriato Branco Cassiano Viriato Branco, (1898-1969), arquitecto modernista português, estudou na Escola de Belas-Artes de Lisboa e foi um dos nomes mais marcantes da arquitectura portuguesa das décadas de 30 e 40.Dos seus projectos arquitectónicos destacamos: Eden Teatro, em Lisboa (1932); Coliseu do Porto (1939); Portugal dos Pequeninos, em Coimbra; Câmara Municipal da Sertã (1927); Hotel Vitória, Lisboa, (1934); Edifício do Cinema Império, Lisboa; (1948) e a Estação Ferroviária de Benguela, em Angola. Rua Cassiano Branco - Bairro dos Lóios, Marvila, Lisboa
Arqt.º Porfírio Pardal Monteiro Porfírio Pardal Monteiro, (1897-1957), arquitecto português, estudou na Escola de Belas Artes de Lisboa. Dos seus projectos arquitectónicos, destacamos: edifício na Av. da República, n.º 49 – Prémio Valmor; Palacete Vale Flor – Prémio Valmor (1928); mordia na Av. 5 de Outubro, n.º 207 a 215 – Prémio Valmor (1929); Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima – Prémio Valmor (1938); edifício do Diário de Notícias – Prémio Valmor (1940); o Hotel Ritz, em Lisboa; edifícios da Faculdade de Letras e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e ainda, em colaboração com o pintor Almada-Negreiros, as Estações Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos (1923). Rua Pardal Monteiro - Bairro dos Lóios, Marvila, Lisboa
Arqt.º Manuel Norte Júnior
Manuel Norte Júnior, (1897-1970), arquitecto português, dos seus projectos arquitectónicos, destacamos: Casa de Malhoa – Prémio Valmor (1905); Villa Sousa – Prémio Valmor (1912); mordia na Av. Fontes Pereira de Melo, n.º 28 – Prémio Valmor (1914); edifício na Av. da Liberdade, n.º 206 a 218 – Prémio Valmor (1915); Pensão Tivoli – Prémio Valmor (1927) e o Café Nicola (1929).
Rua Norte Júnior - Bairro dos Lóios, Marvila, Lisboa
Eng.º / Arqt.º Pedro José Pezerat
Pedro José Pezerat, engenheiro/arquitecto francês. Residiu em Portugal entre 1840 e 1872 (ano da sua morte). Projectou, entre outros, o edifício dos Banhos de São Paulo, construído entre 1850 e 1858 onde, actualmente, funcionam as instalações da Associação de Arquitectos Portugueses / sede da Ordem dos Arquitectos, com as alterações, para as novas funcionalidades, da responsabilidade do arquitecto Manuel Graça Dias que apagaram, porém, todas as características da “arquitectura do ferro” que o seu interior conservava.
Rua Pedro José Pezerat - Bairro dos Lóios, Marvila, Lisboa
Finalmente, sobre este mesmo assunto, recomendamos "A Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Marvila e a população prestam homenagem aos arquitectos portugueses" in: LISBOA S.O.S. . Aqui fica link: http://lisboasos.blogspot.com/search?q=marvila Eduardo Gaspar |