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Em lugar de ouvirmos promessas, façamos, nós, os cidadãos, as propostas! por Eduardo Gaspar Ainda hoje quem visite a Zona N2 do Plano de urbanização de Chelas, o actual Bairro dos Lóios, mesmo não sendo especialista nestas matérias, verificará que este bairro social, tal como muitos outros no nosso País, não foi concebido em função das pessoas que, no mesmo, foram realojadas nas décadas de 70 e 80. O edifícado predominante é, ainda hoje, aquele que foi pessimamente construído pelo então Fundo de Fomento da Habitação – FFH, com um desenho arquitectónico que foi experimentado, em alguns países europeus nos anos 60 e, mais tarde implodidos pelos mesmos. Edifícios de grande volumetria, com muito betão à vista, cinzentos, frios, com ligações de uns para outros, cheio de cantos e recantos, escadas e caminhos que não servem nem vão dar a coisa alguma. Foram nestes pardieiros, nestes mamarrachos arquitectónicos, que foram autenticamente despejadas (sem qualquer critério e sem qualquer posterior acompanhamento social) pessoas oriundas de diversos bairros de barracas – Quinta do Narigão, dos Peixinhos, Cambodja, entre outros e, mais tarde, das nossas ex-colónias. Como já o dissemos, noutras peças que aqui temos escrito, os equipamentos sociais, o comércio de proximidade foi descuidado e os arruamentos ficaram no estado em que os empreiteiros os deixaram. Na época, até a recolha dos resíduos sólidos domésticos foi esquecida!... Não há muitos anos atrás as poucas plantações existentes eram aquelas que alguns “carolas” tinham plantado e mantido. Foram os laços de vizinhança o espírito de cooperação e de entreajuda, trazidos dos bairros de barracas, que motivou a auto-construção de um campo de jogos e dos respectivos balneários e da sede duma colectividade denominada por "Jovens Rebeldes" que funcionou como clube promotor de algumas modalidades desportivas e de actividades culturais e recreativas e como pólo que foi fundamental para a sociabilizarão de adultos e jovens e, como atrás se disse, para promoção do desporto, designadamente, do futsal e da cultura, nomeadamente, dos jogos tradicionais e do teatro amador e muitos bailaricos. Foi no último mandato da coligação liderada pelo Dr. João Soares que a população dos Lóios com alguma imaginação e muita persistência conseguiu colocar o Bairro na lista das prioridades da Câmara Municipal de Lisboa e assistir quer à edificação dos equipamentos sociais, quer às primeiras plantações de árvores e de uns jardins e à requalificação de três espaços públicos - ruas Adães Bermudes; parte da Luis Cristino da Silva e da Praça Raul Lino. Quanto aos demais, como dissemos noutra peça, os projectos ficaram no papel e o dinheiro para a sua execução, oriundo do III Quadro Comunitário de Apoio foi, muito provavelmente, devolvido à Comunidade Europeia por falta de aplicação. A população dos Lóios, crianças e adultos, continua e continuará a não possuir um espaço verde e um jardim e menos um parque que seriam certamente importantes para a sua, saudável e desejável, sociabilização e/ou fortalecimento de laços vizinhança. A camada jovem (em grande número), se excluirmos um pequeno campo localizado na Adães Bermudes, não possui locais suficientes onde possa jogar livremente como acontecia antes da construção do Polidesportivo dos Lóios. Porém, no Bairro dos Lóios existe um espaço privado, há anos abandonado, que, em tempos integrou a chamada Quinta do Alemão ou Quinta da Graça - VEJA AQUI
Trata-se dum espaço arborizado, com uma dimensão suficiente, para transforma-lo numa desejável área verde que pudesse ser fruída pelas diferentes faixas etárias. Haja, pois, vontade política, que imaginação não nos faltará!!...Para além deste espaço, situado entre as ruas Keil do Amaral e Pardal Monteiro, existe um outro a Norte deste, do outro lado da citada Rua Pardal Monteiro, ou seja, um terreno expectante, que vai desde a Rotunda do Relógio e percorre uma parte considerável da Avenida Marechal Gomes da Costa - local para onde a CML já teve previsto alguns projectos e/ou equipamentos - que poderia, desejavelmente, ser transformado numa área de campos de piso sintético que estivessem, dotados das necessárias infraestruturas de apoio destinadas quer aos praticantes, quer aos visitantes, criando-se, deste modo, alguns quantos postos de trabalho e mais equipamento desportivo de grande utilidade para Lisboa e que, ainda por cima, teria a vantagem de conferir a esta área da Freguesia de Marvila um aspecto humanizado e digno que existe, na mesma zona, do outro lado da Marechal Gomes da Costa e que pertence à Freguesia dos Olivais - veja foto em baixo. Diversos estudos sociais e as próprias estatísticas têm revelado que Marvila é uma das freguesias que apresenta os maiores índices de pobreza, de desemprego e de exclusão social. É um dever dos nossos políticos, dos governantes (ao nível local e central), bem como, da chamada sociedade civil, o combate a este flagelo social. Em Marvila há por, razões sócio-culturais entre outras, um grande índice de insucesso escolar entre a camada jovem. As fracas habilitações, ainda por cima, associadas à crise que afecta de sobremaneira o nosso país, ao desemprego galopante e à fraca procura de novos colaboradores por parte de muito poucos empregadores e ainda ao estigma que, quer sejamos Marvila ou Chelas, existe e continuará a existor sobre esta área da cidade de Lisboa, impõe, julgamos nós, da parte de todos, com a maior urgência, uma grande determinação e igualmente uma grande criatividade para, duma forma sustentada, encontrarmos as respostas que terão de passar, necessariamente, pela formação profissional, pela certificação de competências e por estímulos à criação/promoção do auto-emprego. Sabemos que o Governo, através do Ministério do Trabalho e da Segurança Social, tem lançado mão de programas na área social, nomeadamente do PARES, para a criação em regiões do interior do País de algumas respostas sociais que visam também a criação de novos empregos. Em Lisboa, a CML, através da empresa que faz a gestão dos bairros municipais, a Gebalis, está a investir nalguns moradores (zeladores de bairro) no sentido da manutenção de espaços públicos e do mobiliário urbano. Sendo um pouco mais ambiciosos, pensamos que não será descabida, antes pelo contrário, a nossa proposta de, através de um processo negociado e com as devidas compensações, darmos novos usos a edifícios, datados dos finais do Século XIX ou do início do Século XX, que estão sub-ocupados, degradados ou degradar-se, como é o caso destes que integram a referida Quinta do Alemão/Quinta da Graça. Sem qualquer pretensão de apresentarmos uma ideia acabada, pensamos que seria, técnica e economicamente, viável a transformação/adaptação deste conjunto de edifícios a algumas respostas sociais: lar de idosos; pousada de juventude; espaço jovem; espaço de formação profissional; espaço cultural, etc. Estas nossas propostas, contidas nestas últimas três peças, ora aqui editadas, (passaram uma auscultação/aconselhamento, muito significativa/representativa de alguns dos potenciais interessados) e vêm, sem margem para quaisquer dúvidas, ao encontro de necessidades reais da comunidade residente nesta área Oriental de Lisboa quer no que diz respeito às propostas de respostas sociais, quer naquilo que à criação de postos de trabalho, micro empresas ou auto-empregos diz respeito. Haja, pois, quem as queira aproveitar ou adoptar.
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